Orelhão de Itu: conheça a história do monumento com 7 metros de altura que resgata sentimento nostálgico e memória nacional

Enquanto telefones públicos são removidos do país, monumento de sete metros inspirado no humorista Simplício se consolida como atração turística na “cidade dos exageros”.

Se você já visitou Itu, provavelmente passou pela Praça Padre Miguel, no Centro, e viu um orelhão “diferentão”, laranja chamativo, com estrutura azul e telefone vermelho. As principais características, no entanto, são outras: ele não funciona e tem sete metros de altura.

Instalado em 1973 pela antiga Telecomunicações de São Paulo (Telesp), o monumento é uma referência ao personagem Simplício, interpretado por Francisco Flaviano de Almeida no programa “Praça da Alegria”, da extinta TV Tupi.

Francisco nasceu em 1916 e morreu em 2004, aos 87 anos, após contrair pneumonia. Ele foi o grande responsável por consolidar a fama de Itu como a “cidade dos exageros”, onde tudo é grande — título que persiste até hoje.

Itu e seus exageros

A fama da cidade surgiu nos anos 1960, graças ao humorista ituano e ao personagem Simplício, um caipira que contava histórias exageradas sobre sua terra natal.

“Eu convivi não só com o personagem, mas com a pessoa que era o Simplício, que no dia a dia não tinha nada a ver com os personagens que fez durante a carreira e gostava mesmo de viver uma vida tranquila e pacata”, afirma o filho.

A brincadeira ganhou proporções gigantescas e impulsionou o turismo, atraindo visitantes interessados nos objetos fora de escala instalados na principal praça da cidade.

O orelhão foi cedido e instalado pela Telesp em 1973, na Praça da Matriz. Durante a inauguração, o então ministro Hygino Corsetti encerrou o discurso com a frase: “O Brasil é grande, mas eu sei que Itu é maior. E a Telesp não podia deixar de instalar, na cidade, um orelhão à altura da sua fama”.

Em 2000, após a privatização da empresa pela Telefônica, o monumento passou por reforma. Em 2012, com a mudança do nome da operadora de telefonia fixa no Brasil, o símbolo da cidade foi novamente alterado. A última reforma ocorreu em 2019, quando o orelhão voltou a exibir as cores originais da Telesp e a histórica ficha telefônica.

Em 2014, parte do monumento despencou repentinamente e assustou moradores que passavam pelo local. Na ocasião, a prefeitura informou que não sabia a causa da queda e recolheu a estrutura para reforma. Ninguém ficou ferido.

Apesar das mudanças e do incidente, o ponto turístico nunca perdeu seu significado e segue como um dos principais símbolos da grandiosidade ituana.

Fim dos orelhões

Enquanto o monumento de Itu permanece como atração turística, os orelhões convencionais caminham para a extinção. Em 2026, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) iniciou a retirada definitiva dos telefones públicos, após o fim das concessões de telefonia fixa.

Segundo a Anatel, cerca de 38 mil aparelhos ainda permanecem em funcionamento no país. Em Itu, existem atualmente 88 unidades, número bem menor do que no passado, quando eles eram quase indispensáveis.

A remoção não será imediata em todas as cidades. Os orelhões só devem ser mantidos, até 2028, em locais onde não há cobertura de telefonia móvel.

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