Filipe Martins foi assessor especial para assuntos internacionais da presidência da República no governo Bolsonaro. Ele é apontado como responsável por entregar ao ex-presidente a minuta do golpe. Ex-assessor nasceu em Sorocaba e morou em Votorantim (SP).
Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi preso em casa nesta sexta-feira (2) pela Polícia Federal (PF) em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A ordem foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
o advogado Jeffrey Chiquini, que atua na defesa de Filipe Martins, negou que o ex-assessor de Bolsonaro tenha descumprido a medida cautelar e disse que vai se reunir com os outros advogados para decidir os próximos passos da defesa.
Segundo o advogado, Martins “está há mais de 600 dias cumprindo todas as determinações judiciais. Nunca recebeu nenhuma advertência, nunca foi admoestado por ter descumprido qualquer ordem judicial, e hoje foi punido novamente, sem que tenha feito nada de errado.”
Filipe Martins estava em prisão domiciliar desde o dia 27 de dezembro, proibido de usar as redes sociais, e foi detido por descumprir a medida, segundo o STF.
Filipe Garcia Martins Pereira, nascido em Sorocaba (SP) , assumiu o cargo de assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República. A nomeação foi divulgada no Diário Oficial da União em janeiro de 2019, logo no início do governo Bolsonaro.
Martins, que também morou em Votorantim (SP), estudou Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UNB).
No cargo, Filipe atuava como intermediário entre o ex-presidente e o Ministério das Relações Exteriores.
Pelas redes sociais, Filipe também se apresenta como professor de política internacional e analista político. Desde as últimas eleições presidenciais ele não realizou mais nenhuma publicação. A última postagem pública é de outubro de 2022. No entanto, a decisão de Alexandre de Moraes afirma que o perfil de Filipe Martins na rede social LinkedIn foi usado para buscar outros perfis, o que, segundo Moraes, configura descumprimento da medida cautelar imposta.
Conforme a investigação da Polícia Federal, Filipe Martins foi apontado pelo ex-ajudante de ordens Mauro Cid como o responsável por entregar a Bolsonaro a minuta de um documento que previa a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a realização de novas eleições no país – medidas que não tinham amparo constitucional e, na prática, representariam um golpe de Estado.
Martins teria recebido assessoria jurídica de um professor de direito administrativo e constitucional na elaboração do documento.
De acordo com a apuração da CPI, Bolsonaro recebeu o documento das mãos de Filipe Martins, leu e pediu alterações na ordem do texto, decidindo manter apenas a prisão de Moraes e a convocação de um novo pleito eleitoral.







